Entenda por que cultos religiosos podem oferecer alto risco para Covid-19

Na véspera da páscoa, ministro do STF liberou a realização de missas e cultos pelo Brasil

Por: Maria de Toledo Leite | 05 abril - 17:30

A realização de missas e cultos estava proibida por todo o Brasil, em função da pandemia do coronavírus. Porém, na véspera da páscoa, o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), resolveu liberar as celebrações.

Essa foi uma decisão muito comentada entre outros membros do governo, trazendo críticas como a de Marco Aurélio, que disse que o ministro havia sido “novata” ao fazer tal escolha. Nesta segunda-feira (5), o ministro Gilmar Mendes, do STF, proibiu que essas celebrações pudessem ocorrer no estado de São Paulo.

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Mas por que a decisão de Nunes Marques foi tão criticada?

Celebrações religiosas costumam acontecer em espaços fechados e com pouca ventilação e são marcados pelo contato físico entre os fiéis, compartilhamento de objetos e até por cantos litúrgicos.

Essas pequenas coisas eram comuns em nossas vidas pré-pandemia, mas no contexto em que estamos, elas podem apresentar uma grande ameaça e promover a disseminação do coronavírus, causando infecções e mortes.

Portanto, do ponto de vista da saúde e da ciência, a decisão do ministro Kassio Nunes Marques “vai contra qualquer medida de bom senso para perdervar vidas e controlar a panemia”, segundo a infectologista Denise Garrett, ex-integrante do Centro de Controle de Doenças (CDC) dos EUA.

Garrett ainda disse que foram vistos vários surtos da doença que surgiram a partir de cultos religiosos, não só por causa do ambiente fechado, mas também pelas atividades que acontecem lá e que acabam liberando particulas virais no ar.

Considerando que o Brasil está em uma situação muito complicada em relação à pandemia, com recordes diários de mortes e casos da doença, a abertura de igrejas nesse momento vai contra todas as medidas para controlar a pandemia, segundo a infectologista.

Números da Covid-19 no Brasil

Desde o começo da pandemia, o Brasil já registrou 13 milhões de casos e mais de 330 mil vidas perdidas para a doença e, segundo especialistas, se nada for feito para controlar a disseminação do vírus, esses números podem aumentar ainda mais.

Além disso, o país entá enfrentando um colapso do sistema hospitalar, com UTIs lotadas, pacientes morrendo enquanto esperam por leitos, falta de insumos essenciais e profissionais da saúde exaustos e frustrados. No momento, 36,6% daqueles internados na UTI, morrem. Em março, o país chegou a ter 6,3 mil pacientes esperando por leito.

Até este domingo (4), só no estado de SP eram 510 pacientes que haviam perdido a vida à espera de leito de UTI. O estado ainda conta com uma ocupação de 91,4% dos leitos.

LEIA MAIS NOTÍCIAS:

Brasil tem semana mais letal desde o começo da pandemia de Covid-19

Reinfecção por Covid-19 pode ser mais agressiva mesmo sem variantes, diz estudo

Confira os últimos acontecimentos no Estado de São Paulo:

Deixe seu comentário

BOMBOU!

Recomendadas para você