Entenda mais sobre o consórcio Covax, liderado pela OMS

O projeto foi criado com o objetivo de evitar a monopolização dos países ricos com as doses de vacinas da covid-19

Por: Marina Ponchio Gomes Ferreira | 04 abril - 15:17

O Covax Facility é um consórcio  iniciado em abril de 2020 que convidou países desenvolvidos a criarem um fundo coletivo de compra de imunizantes para países pobres, que não possuem poder aquisitivo para vacinar toda sua população. 

O projeto também foi criado com o objetivo de evitar a monopolização dos países ricos com as doses de vacinas e garantir uma distribuição equitativa em todo o mundo. 

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O consórcio é liderado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em parceria com a Vaccine Alliance (Gavi), um organismo suíço de capital misto, e com o Cepi, uma coligação para inovação e preparação de epidemias, com sede em Oslo, na Noruega. A iniciativa conta com a participação de 190 países, incluindo o Brasil, sendo 98 dessas economias de alta renda e 92 de baixa renda. 

A meta do grupo é fornecer em 2021, imunizantes contra o coronavírus a 20% da população de 200 países e territórios. Em fevereiro deste ano Gana tornou- se o primeiro país do mundo a receber as vacinas pela iniciativa Covax. 

Os demais países participantes, podem sim solicitar doses para vacinar uma média entre 10% e 50% de sua população. O Brasil entrou no consórcio com a cota mínima, garantindo 42,5 milhões de doses. Esse total é suficiente para a cobertura de 21 milhões de pessoas no país. 

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Países como os Estados Unidos e o Reino Unido entraram com o financiamento, mas não solicitaram doses para imunizar sua população. O Reino Unido já doou 734 milhões de dólares a iniciativa da OMS. Na semana passada, as doações de países mais abastecidos fizeram o financiamento chegar a 6 bilhões de dólares. Outras nações também estão se comprometendo a doar as vacinas que não forem usadas nos habitantes. 

No primeiro mestre deste ano, serão entregues vacinas provenientes de três fabricantes: 240 milhões de doses da vacina AstraZeneca/Oxford produzidas pelo Instituto Serum, na índia; 96 milhões de doses da Astrazeneca/Oxford produzida pela farmacêutica coreana SL Bioscience e 1,2 milhões de doses da vacina Pfizer-BioNTech. O Brasil vai receber vacinas da AstraZeneca. 

As dificuldades da iniciativa Covax

Apesar da ideia do projeto ser boa, não estava previsto que vários países ricos iriam reservar uma quantidade de doses de vacina bem maior do que o necessário para os seus cidadãos, através de negociações realizadas diretamente com as farmacêuticas.

Considerando que a capacidade de produção atual não dá conta da demanda mundial, inclusive a Índia – maior fabricante de vacinas no mundo – parou de exportar por um tempo para suprir as necessidades locais, a quantidade sobrando para a iniciativa Covax foi ficando cada vez menor. Além disso, o valor dos imunizantes está ficando cada vez mais caro, uma notícia que abala o projeto, já que seu dinheiro é contado. 

A falta de vacinação em massa no mundo pode prejudicar todos os países. Onde não houver a imunização maciça, o vírus covid-19  vai seguir circulando e potencialmente sofrendo mutações e favorecendo novas infecções, talvez até mais letais, inclusive nas pessoas já imunizadas. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) requisitou que a comunidade internacional dos países ricos, doe imediatamente 10 milhões de doses de vacina  para o consórcio, o diretor geral, Tedros Adhanom afirmou  que “muitos países podem dar doses alterando um pouco seus planos de vacinação’. Dez milhões de doses não é muito e está longe de ser o suficiente, mas é o começo. Vamos precisar de centenas de milhares de doses adicionais nos próximos meses.”

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