Entenda a importância e a escassez do “kit intubação” no Brasil

Atualmente, hospitais de 591 cidades brasileiras correm o risco de ficar sem medicamentos para intubação

Por: Murilo Amaral Feijó | 27 abril - 17:08

Na última sexta-feira (23), o Conselho Nacional de Municípios (CNM) divulgou um levantamento apontando que os hospitais de 591 cidades brasileiras correm o risco de ficar sem medicamentos do “kit intubação”. Apenas no estado de São Paulo, mais de 60% das unidades municipais enfrentaram uma situação crítica pela falta dos medicamentos.

Com a escassez do “kit intubação” pelo Brasil, muitos hospitais públicos e particulares reforçaram o alerta de um colapso iminente e até um desabastecimento desses medicamentos.

Paciente intubado em leito de UTI com duas enfermeiras ao lado

Foto: Governo do Estado de São Paulo

Basicamente, o “kit intubação” é um conjunto de medicamentos administrados para pacientes com covid-19 em estado grave, que precisaram ser intubados. A intubação é um procedimento no qual é inserido um tubo ligado a um respirador na boca do paciente sedado, que vai até a traqueia. Assim, a respiração do paciente ocorre por uma ventilação mecânica.

A função do kit durante este processo é manter o paciente sedado e a sua musculatura relaxada, fazendo com o que a intubação seja um processo menos agressivo e doloroso. Profissionais da saúde afirmam que os medicamentos do kit são insubstituíveis para o processo. Com a falta dos medicamentos, muitos hospitais precisaram amarrar os pacientes em seus leitos, evitando que a pessoa retire o tubo da própria garganta.

A COMPOSIÇÃO DO “KIT INTUBAÇÃO”

Para manter o processo da intubação, é necessária a administração de três principais medicamentos: sedativos, analgésicos e neurobloqueadores (bloqueadores neuromusculares).

Os sedativos são os medicamentos que provocam o coma induzido no paciente. Remédios como propofol, dexmedetomidine e midazolam mantém o paciente inconsciente e são administrados o tempo todo, podendo durar de 30 a 120 minutos.

Os analgésicos evitam que o paciente sinta dor durante a intubação. Por ser um procedimento agressivo, a intubação requer que o paciente tome fentanil ou morfina, por exemplo, para que a dor seja amenizada.

Os neurobloqueadores ou bloqueadores neuromusculares facilitam o processo de intubação e paralisam a musculatura respiratória. Por conta da ventilação mecânica, os músculos que trabalham na respiração devem permanecer paralisados. São muito utilizados medicamentos como rocurônio e atracúrio.

A ESCASSEZ DOS MEDICAMENTOS

Em março de 2021, o governo federal decidiu centralizar a compra dos medicamentos do “kit intubação”, que antes era feita pelos governos estaduais e municipais. Com essa decisão, o Ministério da Saúde se tornou o responsável pela distribuição dos remédios através do SUS (Sistema Único de Saúde).

Porém, o setor farmacêutico, responsável pela produção desses medicamentos, não consegue acompanhar a demanda dos remédios do kit. Assim como o IFA (Ingrediente Farmacêutico Ativo) da vacina contra a covid-19, o insumo utilizado na produção dos medicamentos é importado e poucos laboratórios conseguem comprar do exterior.

Além disso, os medicamentos que compõem o “kit intubação” sofreram uma alta excessiva nos preços. Segundo uma pesquisa realizada pela CNN, o preço dos remédios para intubação cresceu 894%.

Com isso, os hospitais dependem da doação de medicamentos por empresas privadas e alguns até tentam substituí-los. Mas mesmo assim, a taxa de mortalidade nas UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) deve continuar subindo por conta da falta desses remédios.

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