Covid: intubação de jovens na cidade de São Paulo tem grande aumento

Agravamento da situação pode esta ligado à variante de Manaus

Por: Maria de Toledo Leite | 19 abril - 17:18

O rápido avanço da variante P.1, descoberta em janeiro em Manaus, fez com que a cidade de São Paulo pasasse a orientar os infectados por Covid-19 a procurar uma unicade de saúde assim que surgirem os primeiros sintomas da doença. Discurso é o oposto ao anterior, que dizia que a ida ao hospital deveria acontecer apenas se os sintomas se agravassem.

Uma das principais características dessa variante é o risco maior de infectar os mais jovens. Por exemplo, a maioria dos casos registrados em 2021 em São Paulo foram de pessoas de 20 a 54 anos, em contraste com os mais de 80% leitos ocupados por idosos e portadores de doenças crônicas em 2020.

Foto: GovSP

De acordo com a prefeitura, a mudança de orientação aconteceu por três motivos associados ao avanço da variante P.1: o agravamento rápido do quadro de saúde, mais jovens atingidos e tempo de internação maior.

O secretário municipal de saúde de São Paulo, Edson Aparecido, afirmou que o agravamento da situação de alguém infectado com a variante é muito repentino. “Há relatos do atendimento na ponta de jovens que são internados e em 24 horas já precisam ser intubados.”

Além disso, dados mostram que a P.1 foi vista em mais de 80% dos pacientes da Grande São Paulo no começo de março. No Rio de Janeiro, a variante também tem avançado rápido, tendo subido de 67% para 80% sua incidência.

Essa é uma variante mais contagiosa, entre outros motivos, por causa de mutações em sua estrutura, que fazem com que a invasão no corpo humano seja mais fácil. Isso também pode estar relacionado com a maior letalidade do vírus e o agravamento mais rápido do quadro do paciente, porém essas hipóteses ainda não foram confirmadas.

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Um levantamento feito pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Aimb) apontou que, na onda atual da pandemia, houve um aumento de 40% no número de pacientes que precisam ser intubados e receber ventilação mecânica.

No entanto, é importante dizer que o motivo pelo qual a variante infecta mais jovens não necessariamente está relacionado com a faixa etária das pessoas. Por exemplo, alguém entre a idade de 20 e 54 anos, muitas vezes, precisa sair de casa e se expôr para trabalhar. A grande preocupação existe, porque a variante é mais contagiosa, então se um jovem é infectado quando vai trabalhar, a chance dele infectar outro jovem é maior.

Dados divulgados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em fevereiro deste ano indicam que os infectados pela P.1 têm uma carga viral até 10 vezes maior do que os contaminados pela forma comum do vírus. Isso apenas reforça a teoria dela ser mais transmissível.

Isso não faz com que a doença seja mais grave.

Portanto, mudança na orientação da Prefeitura de São Paulo visa atingir principalmente os mais jovens já que esse grupo tende a procurar atendimento mais tarde, quando a doença está agravada.

Mas, deve-se destacar que não há um tratamento precoce contra o coronavírus que tenha se mostrado eficaz. Ou seja, a recomendação de buscar atendimento logo nos primeiros dias de sintomas não inclui medicamentos capazes de evitar o agravamento, mas sim um procurar um acompanhamento dos sintomas, com a ajuda de profissionais.

A nova orientação também tem como objetivo prever a ocupação de leitos hospitalares, segundo o secretário municipal de saúde de São Paulo. Atualmente, 88% dos leitos de UTI da cidade estão ocupados, sendo que o número de leitos aumentou de 575 para 1.430 desde o começo da pandemia.

Cerca de 80% dos intubados por covid-19 morreram no Brasil em 2020.

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