Covid-19: Qual máscara usar?

Com o avanço da pandemia e o aparecimento de novas variantes do vírus, surgiram dúvidas sobre os modelos de proteção mais indicados

Por: Caroline Ripani | 06 abril - 17:30

Em março de 2021 o mundo completou um ano de pandemia causada pelo vírus Sars-CoV-2, conhecido como novo coronavírus. Com o passar do tempo, o uso de máscaras protetivas, que no início da pandemia era aconselhado somente aos profissionais da saúde, se tornou indispensável para a população como um todo.

No entanto, em meio ao surgimento de variantes com potencial contagioso maior que o do vírus original, – como é o caso da cepa P.1 descoberta em Manaus – e a lentidão na campanha de vacinação, surgem dúvidas acerca do modelo de máscara mais indicado para se proteger contra a covid-19, dentre os vários tipos existentes à venda.

A seguir, a Metropolitana explica para você quais as máscaras com maior segurança contra a covid-19, e quais as que não são indicadas na proteção contra o vírus.

Modelos de máscara mais seguros, segundo estudo

Em setembro de 2020, um estudo realizado pela Universidade Duke, nos Estados Unidos, e publicado na revista científica Science Advances, analisou 14 modelos de máscaras, comparando a eficiência de cada uma em proteger contra o novo coronavírus.

O estudo consistiu em medir o quanto as máscaras conseguiam impedir que gotículas expelidas por uma pessoa enquanto falava, se espalhassem pelo ambiente. 

Para que o experimento fosse realizado, foi necessário que uma pessoa falasse em frente a um laser a frase “mantenham-se saudáveis, pessoal” cinco vezes, com os 14 tipos de máscaras, enquanto o procedimento era filmado por um celular. O experimento foi repetido 10 vezes para cada máscara. 

14 tipos de máscaras

Máscaras de 14 modelos diferentes utilizadas no experimento. Foto: Reprodução/Emma Fischer/Duke University/Science Advances

Dentre as participantes do estudo, a máscara considerada mais segura foi a do tipo N95 sem válvula, que reduziu a transmissão de partículas para menos de 0,01%.  

Em segundo e terceiro lugar ficaram respectivamente as máscaras cirúrgicas de três camadas, e as de polipropileno e algodão – materiais recomendados pela OMS para a confecção de máscaras caseiras – também com três camadas. Ambas reduziram em 90% a quantidade de gotículas expelidas.

Os piores resultados foram notados no uso de bandanas, que diminuíram a quantidade em 5%, e em polainas de pescoço, que por outro lado, aumentaram em 110% o potencial de expelir gotículas, devido à capacidade de seu tecido de conseguir partir gotículas maiores em menores, aumentando a quantidade.

Máscaras N95/PFF2

Consideradas pelo estudo como as mais eficazes na proteção contra o novo coronavírus, os respiradores de nomenclatura PFF2 (peça facial filtrante no Brasil) ou N95 – equivalente à PFF2 nos Estados Unidos – indicam máscaras de uso profissional.

Esse modelo é constituído parcial ou totalmente de material filtrante que cobre o nariz, a boca e o queixo. E, para garantir maior vedação e ajuste ao rosto, além de possuírem clipe nasal, o elástico da máscara fica preso à cabeça, não às orelhas como em outras máscaras.

Jovem usando máscara do modelo N95/PFF2

Foto: Reprodução/Pixabay

De acordo com o infectologista e coordenador da equipe de Infectologia Clínica do Hospital Brasil, Ruan Fernandes, o modelo N95/PFF2, além de ser o que tem melhor aderência à face, “é o único que garante a capacidade de filtrar partículas menores do que 5 micrômetros, que são chamadas de aerossol. Essas partículas recebem esse nome pela capacidade de alcançar distâncias maiores e permanecer horas em suspensão no ar”.

Fernandes ainda explica que, apesar da transmissão por aerossol ser considerada infrequente, e a contaminação pela covid estar relacionada principalmente ao contato próximo com pessoas infectadas, ela ainda é possível em circunstâncias específicas. 

“Quando uma pessoa infectada permanece em um ambiente sem ventilação por mais de 30 minutos existiria um risco potencial de formar aerossol e infectar pessoas mais distantes ou mesmo ocorrer transmissão após o indivíduo infectado sair do local. Mas ressalto que esse tipo de transmissão é considerada uma exceção”, disse o infectologista.

Versão chinesa

Assim como a nomenclatura PFF2 é a equivalente brasileira ao modelo N95, na China o nome dado a este tipo de máscara é KN95. Entretanto, apesar do nome parecido, a versão chinesa tem menor capacidade de vedação, pois o elástico da máscara é preso atrás das orelhas, podendo permitir que o ar escape pelas laterais.

Em maio de 2020 a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), publicou uma lista de com diversos modelos de máscara KN95 que apresentaram falhas na filtragem de partículas, sendo então, consideradas ineficazes na proteção contra a covid-19, principalmente se usadas por profissionais da área da saúde.

Máscara KN95

Foto: Reprodução/Pixabay

No Brasil, para uma máscara PFF2 ser considerada eficiente, ela deve ser aprovada pela Anvisa, e conter o selo do Inmetro, agência reguladora de produtos e serviços no país. 

“Apenas as máscaras PFF2 e cirúrgicas são utilizadas em hospitais e consideradas equipamento de proteção individual, com validação do fabricante pela Anvisa, certificando que foram submetidas a testes e aprovadas para os requisitos de sua categoria”, ressalta Ruan Fernandes.

E quanto às máscaras com válvulas?

As máscaras com válvula na lateral foram projetadas inicialmente para o uso em ambientes industriais, e tem como objetivo controlar apenas o que o usuário inspira, não o ar que ele exala para o ambiente.

Em março de 2021 a Anvisa proibiu o uso desse tipo de máscaras em aviões e aeroportos, juntamente com máscaras de acrílico ou plástico.

Homem usando máscara com válvula

Foto: Reprodução/Pixabay

Segundo o infectologista Ruan Fernandes, esse modelo de máscara não é indicado na proteção contra a covid-19, pois só oferece segurança para o próprio usuário, podendo colocar em risco a saúde de outras pessoas.

“As máscaras com válvula exalatória protegem as pessoas que a estão utilizando ao filtrar o ar e as gotículas do meio, mas não protegem as demais pessoas caso o usuário desse tipo de máscara esteja infectado”, afirma o médico.

Todos devem usar máscaras PFF2/N95?

Em janeiro deste ano, a França desaconselhou o uso de máscaras artesanais, recomendando apenas a utilização dos modelos cirúrgicos, médicos, PFF2, e máscaras industriais de tecido.  

A mudança ocorreu devido à circulação na França, de variantes do novo coronavírus. Segundo o ministro da Saúde francês, Oliver Véran, as máscaras de pano caseiras “não respeitam as normas e não oferecem todas as garantias necessárias” de filtragem correta do ar.

No Brasil, a Anvisa recomenda que o uso de máscaras do tipo PFF2/N95 deve ser destinado à “profissionais que prestam assistência a pacientes suspeitos ou confirmados de covid-19 nos serviços de saúde”. Enquanto a indicação para as demais pessoas, é que continuem utilizando máscaras de tecido.

Ruan Fernandes salienta que, no momento, para a população geral assintomática “não há uma recomendação de abolir o uso da máscara de tecido”.

O infectologista destaca que “esse dispositivo é uma barreira eficaz quando utilizado de forma apropriada cobrindo boca e nariz, com duas ou três camadas de materiais indicados para esse fim”.

Lembrando que, para as máscaras de tecido terem um resultado satisfatório, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que elas contenham três camadas de três tecidos diferentes. Sendo eles, algodão (absorve a umidade), polipropileno (funciona como um filtro) e poliéster (garante impermeabilidade). 

Como reutilizar máscaras PFF2/N95

Diferentemente das máscaras de tecido – que devem ser deixadas de molho em uma solução de água e sabão/detergente por cerca de uma hora – não se deve molhar, passar álcool ou qualquer outro produto químico nas PFF2/N95, pois quando úmidas, perdem a capacidade de filtração.

Para reutilizar os respiradores, basta deixá-los descansando em um local ventilado entre 3 e 7 dias. O descarte da máscara é necessário se ela apresentar rasgos, sujeira, ou em casos de contato direto com pessoas infectadas pela covid-19.

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