Com fim de fila de idosos, quem tem comorbidade luta pela vez na vacinação

Sem uma orientação específica do Ministério da Saúde de como conduzir a imunização desse grupo, cada estado tem adotado sua ordem

Por: Sophia Bernardes | 21 abril - 09:32

A campanha de vacinação nos idosos com mais de 60 anos, está chegando ao fim, e os grupos de pessoas com comorbidades classificados também com prioritários – entre 18 e 59 anos – passam a ser o próximo grupo para receber os imunizantes.

Sem vacina para o grupo inteiro de uma vez, as associações e sociedades médicas buscam destacar a importância das “suas” patologias na fila da vacina.

Foto: Agência Brasil

O Plano Nacional de Vacinação (PNI) engloba 21 grupos de comorbidades prioritárias, com mais de 50 patologias, condições e síndromes que atingem cerca de 18 milhões de brasileiros.

Sem uma orientação específica do Ministério da Saúde de como conduzir a imunização desse grupo, cada estado tem adotado sua ordem.

Nesta terça-feira (21), Governo de São Paulo anunciou o início da vacinação – a partir de 10 de maio – em pessoas com síndrome de down, transplantados imunossuprimidos e insuficientes renais em diálise. Com a escassez de imunizantes, o governo paulista diz ter feito a escolha por critérios de risco e logística, mas não agradou a todos.

Insatisfação dos grupos excluídos

A Presidente da Associação Pró-Falcêmios (Aprofe), de portadores de anemia falciforme, Sheila Ventura Pereira, não ficou satisfeita com a decisão, visto que este grupo está incluso no grupo de prioridades desde o início da campanha.

“Nós estávamos desde o início já inclusos no grupo de risco. Agora, estamos notando que outras patologias e setores estão passando na nossa frente, toda uma população. Como é que isso fica?”, questiona Sheila.

O grupo de portadores de anemia falciforme, no dia 12, criou um abaixo-assinado online para pedir a vacinação. No texto argumentam que, “Sabemos que a doença falciforme é uma doença limitante e que alguns pacientes passam por crises ligadas a problemas respiratórios (como pneumonia e síndrome torácica aguda)”.

De acordo com a Presidente da Associação, foi enviado também um comunicado à Secretaria de Saúde e deverão fazer um ato, nesta sexta-feira (24), na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). “Estamos ficando para trás, não está certo. A doença falciforme pode causar complicações muito sérias”, afirma.

Para o secretário-executivo da Sociedade Brasileira de Endocrinologia do Rio Grande do Sul (Sbem-RS), Airton Golbert, “A prioridade que deram [em SP] para transplantados é para imunossuprimidos, um grupo certamente de alto risco. Nossos pacientes de endócrino, em especial diabéticos e obesos também são de alto risco”.

Até março, o Plano Nacional de Imunização não incluía o tipo 1 da Diabetes na lista, mas a Sbem e outras duas associações se uniram e conseguir incluir todos os tipos de diabéticos nos grupos prioritários.

Airton sugere ainda que todas as gestantes, em especial as com diabetes, sejam vacinadas, “Todos os diabéticos têm maior risco a desenvolver complicações graves da covid-19. O DM1 requer insulina e é muito difícil ter o controle ideal. Como é só 5% da população de diabéticos, também deveriam ser prioridade para a vacinação”, afirma.

Ainda opina que, o Plano Nacional de Imunização (PNI) deveria priorizar todos os quadros de obesidade, não só a mórbida. “Hoje, estamos vendo que a maioria dos pacientes com quadros mais graves [de covid] tem obesidade. Para eles, o vírus é um fator de risco muito importante”, diz.

Autonomia dos Estados e Municípios

O Ministério da Saúde tem estados e municípios têm “autonomia” para classificar as prioridades destacadas no Plano Nacional de Imunização, “levando em consideração a realidade de cada local”.

“O PNI prioriza tanto pessoas com síndrome de Down quanto diabéticos e hipertensos. Mas voltamos a destacar a autonomia dos gestores locais. A ordem dos grupos prioritários foi discutida com vários especialistas”, disse a pasta.

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