Crítica | Feito para causar repulsa, “Coringa” empolga com narrativa e estética envolvente

Filme estreia no Brasil nesta quinta-feira (3)

Por: Gabriela Orsini | 02 outubro - 17:45

Antes mesmo de estrear, “Coringa” já estava causando algumas polêmicas, e, por tratar de assuntos fortes e importantes, toda a discussão em volta do filme talvez seja sim necessária. Mas a criação do diretor Todd Phillips vai muito além disso.

Criando uma ambientação digna da Hollywood dos anos 80, a atmosfera pesada e intensa de Gotham City nem precisa da trama doente do personagem para passar a mensagem do filme. A fotografia tem um filtro que dá a intensidade e um quê de suburbano, propositalmente colocado para reforçar a ideia de que o Coringa é alguém à margem da sociedade.

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Mas engana-se quem pensa que os atos do protagonista são justificados por essa marginalização. A construção do personagem foi feita justamente para que ele não seja alguém com quem o público possa se identificar. O Coringa é uma pessoa doente, não um homem que sofre com a sociedade e por isso tem atitudes extremas. Importante ressaltar o trabalho feito nessa âmbito, para não gerar maiores debates e polêmicas.

Mas o destaque principal é de Joaquin Phoenix, que com maestria mostrou a evolução do personagem, desde um homem que buscava se tratar e viver normalmente, até o ponto em que abraça sua loucura, sua doença, e assume o codinome de Coringa. Não é algo brusco, vai acontecendo ao longo do filme, e é nítida a transformação do ator para o papel.

A estética de “Coringa” não é mais agradável do que o próprio personagem em alguns momentos, já que foi pensado para causar estranheza, repulsa e nojo. Mais um fato bem pensado para distanciar o filme da realidade, e evitar associações.

Esse novo Coringa chega para revolucionar não apenas a história do personagem, mas o gênero todo. O filme estreia nesta quinta-feira (3) aqui no Brasil. Confira o trailer: